Escolher o disjuntor errado coloca em risco toda a instalação elétrica, afinal, quando ele é superdimensionado, a corrente pode ultrapassar o limite suportado pelo fio antes de o disjuntor desarmar, gerando aquecimento do condutor e risco de incêndio. Já quando é subdimensionado, o efeito é o oposto: ele desarma antes do necessário, interrompendo o circuito mesmo em condições normais de uso.
Por isso, o ponto de partida real é a bitola do fio e a corrente que o circuito efetivamente conduz, calculada conforme os critérios da NBR 5410, norma que rege as instalações elétricas de baixa tensão no Brasil.
Bitola do fio, corrente e disjuntor recomendado
Para entender qual disjuntor usar, primeiro é preciso olhar para a bitola do condutor instalado no circuito. A tabela abaixo mostra a relação entre bitola, corrente máxima suportada pelo fio e o disjuntor recomendado, seguindo a lógica de proteção da NBR 5410:
| Bitola do fio (mm²) | Corrente máxima do condutor (A) | Disjuntor recomendado |
| 1,5 | 15,5 | 10 A |
| 2,5 | 21 | 16 A ou 20 A |
| 4 | 28 | 25 A |
| 6 | 36 | 32 A |
| 10 | 50 | 40 A ou 50 A |
| 16 | 68 | 63 A |
* Os valores podem variar conforme o método de instalação e a temperatura ambiente.
Disjuntor por tipo de circuito
Cada circuito da instalação tem uma exigência diferente:
- Iluminação: geralmente usa fio de 1,5 mm² e disjuntor de 10 A. É importante não misturar esse circuito com tomadas de uso geral.
- Tomadas de uso geral (TUG): atendem eletrônicos e pequenos eletrodomésticos, normalmente com fio de 2,5 mm² e disjuntor de 16 A ou 20 A.
- Tomadas de uso específico (TUE): cada equipamento de alta potência, como chuveiro, forno ou ar-condicionado, precisa de um circuito exclusivo, com disjuntor entre 25 A e 40 A conforme a corrente do aparelho.
- Circuito de força: alimenta motores e equipamentos de maior porte, e seu dimensionamento segue a corrente de partida do motor.
Disjuntor termomagnético e disjuntor DR: qual usar
O disjuntor termomagnético protege o circuito contra sobrecarga e curto-circuito e o DR, diferencial residual, identifica fuga de corrente para a terra e desliga o circuito antes que alguém sofra um choque elétrico.
Justamente por isso, a NBR 5410 exige o uso do DR em circuitos que atendem áreas molhadas, como banheiros, cozinhas e áreas externas, sempre em conjunto com o disjuntor termomagnético.
Erros comuns no dimensionamento
Alguns erros se repetem com frequência em instalações elétricas, e vale a pena ficar atento a eles:
- Usar um disjuntor de amperagem maior para evitar que ele desarme, o que na prática elimina a proteção do fio.
- Ignorar a curva de disparo: a curva B é indicada para residências, a curva C para motores pequenos e a curva D para ambientes industriais.
- Misturar circuitos diferentes no mesmo disjuntor, o que compromete a proteção individual de cada um.
Monofásico, bifásico e trifásico: isso muda o disjuntor?
Sim, mas apenas em relação ao número de polos. Circuitos monofásicos usam disjuntor unipolar, bifásicos usam bipolar e trifásicos usam tripolar. Por outro lado, a corrente nominal do disjuntor, continua sendo definida pela bitola do fio e pela corrente do circuito, independentemente do tipo de ligação.
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